sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo

LEITURA I: Dan 7, 13-14

Leitura da Profecia de Daniel
Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos, nações e línguas O serviram. O seu poder é eterno, não passará jamais, e o seu reino não será destruído.

SALMO RESPONSORIAL: Salmo 92 (93), 1ab.1c-2.5 (R. 1a)

Refrão: O Senhor é rei num trono de luz.

O Senhor é rei,
revestiu-Se de majestade,
revestiu-Se e cingiu-Se de poder.

Firmou o universo, que não vacilará.
É firme o vosso trono desde sempre,
Vós existis desde toda a eternidade.

Os vossos testemunhos são dignos de toda a fé,
a santidade habita na vossa casa
por todo o sempre.

LEITURA II: Ap 1, 5-8

Leitura do Apocalipse
Jesus Cristo é a Testemunha fiel, o Primogénito dos mortos, o Príncipe dos reis da terra. Àquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus seu Pai, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amen. Ei-l’O que vem entre as nuvens, e todos os olhos O verão, mesmo aqueles que O trespassaram; e por sua causa hão-de lamentar-se todas as tribos da terra. Sim. Amen. «Eu sou o Alfa e o Ómega», diz o Senhor Deus, «Aquele que é, que era e que há-de vir, o Senhor do Universo».

EVANGELHO: Jo 18, 33b-37

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo, disse Pilatos a Jesus: «Tu és o Rei dos Judeus?». Jesus respondeu-lhe: «É por ti que o dizes, ou foram outros que to disseram de Mim?». Disse-Lhe Pilatos: «Porventura eu sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?». Jesus respondeu: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui». Disse-Lhe Pilatos: «Então, Tu és Rei?». Jesus respondeu-lhe: «É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».
«Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz»



I LEITURA:
Deus age, a partir de dentro, na história dos homens e mulheres de todos os tempos, pela força do Seu amor; esta certeza é sinal de esperança para todos os que ainda experimentam a opressão do pecado e do mal. O profeta Daniel, no texto que nos é proposto como I Leitura, descreve uma visão segundo a qual "alguém semelhante a um filho do homem" vem desde o Céu à Terra para reinar sobre "todos os povos, nações e línguas". Este filho do homem, da profecia de Daniel, é Jesus: o seu poder não é senão o amor com que assume a nossa humanidade para abrir em nós os caminhos da eternidade, e a sua realeza identifica-se com a compaixão da Boa-Notícia do Reino de Deus, experimentada por aqueles que, com humilde confiança, se dispõem a fazer com Jesus a experiência de ter Deus como Pai.

II LEITURA:
A passagem do Apocalipse, que será proclamada neste Domingo, é a reflexão de uma das comunidades da Igreja primitiva acerca da identidade verdadeira de Jesus. Entrando na profundidade da linguagem do Apocalipse, descobrimos Jesus como a "Testemunha Fiel" e o "Primogénito dos mortos", títulos que nos remetem para a comunhão plena do humano como o divino, realizada plenamente em Jesus. O Senhor é o rosto revelador do amor e da misericórdia do Pai; n'Ele é o próprio Deus que comunga a nossa humanidade, tornando-se a porta (o início - Alfa) e a realização plena (o fim - Ómega) da felicidade digna e verdadeira de todos os que se deixam cativar pelo Seu Evangelho. A sua inteira consagração à vontade do Pai, na experiência da Páscoa, é o sinal mais excelente da sua realeza, radicalmente diferente dos poderes que orientam as nossas comunidades e a sociedade de que fazemos parte.

EVANGELHO:
João no seu Evangelho, ao descrever o diálogo entre Pilatos e Jesus durante o processo da Sua condenação, propõe aos cristãos, como atitude fundamental, a escuta da voz do Senhor, que é testemunho da Verdade de Deus. Para discernir a novidade radical da realeza de Jesus torna-se necessário escutar a Sua Palavra, a Palavra que faz irromper no meio de nós o Reino dos Céus e que propõe a experiência da entrega fiel ao serviço dos outros, que em Jesus se tornam nossos irmãos, e do acolhimento da Vida abundante de Deus em nós. A dinâmica misericordiosa, cheia de amor e geradora de vida e de verdade do Reino de Deus, que Jesus apaixonadamente anunciava e vivia, não pode ser medida nem encaixada nas categorias deste mundo. Para vivermos segundo o Espírito do Senhor devemos estar vigilantes na escuta da Sua voz e, ultrapassando os limites da fragilidade e da finitude do nosso mundo, dispormo-nos a experimentar, na vida de cada dia, a Verdade do Evangelho. Só assim estaremos prontos para saborear a Vida de Deus, na Festa do seu Reino.

Pistas para a Reflexão:

 - Deus age a partir do teu coração ou deixa-Lo à porta, pronto a ajudar quando for preciso?
 - De onde vens? Para onde vais? Onde fica Jesus nesse caminho?
 - Em que frequências andas sintonizado(a)? Amas o poder ou queres poder amar?

Rezar a Palavra, com a Igreja...

Senhor, Pai santo, Deus fiel e misericordioso,
é verdadeiramente nossa vida e salvação
dar-Te graças, sempre e em toda a parte:
Com o óleo da alegria
consagraste Sacerdote eterno e Rei do universo
o Teu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor,
para que, oferecendo-Se no altar da cruz,
como vítima de reconciliação,
consumasse o mistério da redenção humana
e, submetendo ao seu amor todas as criaturas,
oferecesse à Tua infinita majestade
um reino eterno e universal:
reino de verdade e de vida,
reino de santidade e de graça,
reino de justiça, de amor e de paz.

sábado, 14 de Novembro de 2009

Dom. XXXIII Tempo Comum - Ano B

LEITURA I Dan 12, 1-3

Leitura da Profecia de Daniel
Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande chefe dos Anjos, que protege os filhos do teu povo. Será um tempo de angústia, como não terá havido até então, desde que existem nações. Mas nesse tempo, virá a salvação para o teu povo, para aqueles que estiverem inscritos no livro de Deus. Muitos dos que dormem no pó da terra acordarão, uns para a vida eterna, outros para a vergonha e o horror eterno. Os sábios resplandecerão como a luz do firmamento e os que tiverem ensinado a muitos o caminho da justiça brilharão como estrelas por toda a eternidade.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 15 (16), 5.8.9-10.11 (R. 1)

Refrão: Defendei-me, Senhor: Vós sois o meu refúgio.
Ou: Guardai-me, Senhor, porque esperei em Vós.

Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,
está nas vossas mãos o meu destino.
O Senhor está sempre na minha presença,
com Ele a meu lado não vacilarei.

Por isso o meu coração se alegra
e a minha alma exulta
e até o meu corpo descansa tranquilo.
Vós não abandonareis a minha alma
na mansão dos mortos,
nem deixareis o vosso fiel sofrer a corrupção.

Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,
alegria plena em vossa presença,
delícias eternas à vossa direita.

LEITURA II Hebr 10, 11-14.18

Leitura da Epístola aos Hebreus

Todo o sacerdote da antiga aliança se apresenta cada dia para exercer o seu ministério e oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca poderão perdoar os pecados. Cristo, ao contrário, tendo oferecido pelos pecados um único sacrifício, sentou-Se para sempre à direita de Deus, esperando desde então que os seus inimigos sejam postos como escabelo dos seus pés. Porque, com uma única oblação, tornou perfeitos para sempre os que Ele santifica. Onde há remissão dos pecados, já não há necessidade de oblação pelo pecado.

EVANGELHO Mc 13, 24-32

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Naqueles dias, depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; as estrelas cairão do céu e as forças que há nos céus serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e glória. Ele mandará os Anjos, para reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais, da extremidade da terra à extremidade do céu. Aprendei a parábola da figueira: quando os seus ramos ficam tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. Assim também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, está mesmo à porta. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém os conhece: nem os Anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai».

Reflexão

«As minhas palavras não passarão»



Leitura I

Durante toda a vida, Deus teve presente o projecto de cada homem, de cada um dos seus filhos. Por sua vez, estes vão respondendo com a confiança e fidelidade de quem se entrega nas Suas mãos.
Miguel é o chefe do exército dos Anjos, ou seja, sinal da máxima protecção de Deus, pois este é o mensageiro que anuncia a acção e a eficácia da mão poderosa, próxima e carinhosa do Senhor.
O Povo de Deus sentiu-se perseguido, tendo por isso passado alguns tempos de angústia e desespero. Mesmo assim, esperavam a Salvação, a ressurreição, a vida nova e eterna. Este “dormir no pó da terra” de que o profeta Daniel nos fala, simboliza a natureza do homem nascido do pó da terra, do barro (Adamah»Adam»Adão»Terra/barro vermelho que servia para construir imagens). Os sábios, são todos aqueles que nascidos do pó da terra, das mãos de Deus, acordam do sono para uma vida nova, sem igual, em que o Baptismo é mergulho de amor.
Tal como o Povo de Deus esperava a salvação, também nós devemos buscar todos os dias a morte do que não é bom, preparando-nos para o DIA da ALEGRIA !

Salmo Responsorial

A esperança do Povo de Deus é cantada no Salmo 15(16). Os momentos de espera, de silêncio e vazio fazem parte das nossas vidas e não motivo para desanimar, pois é neles que se renasce e se cresce!
Durante o final do Tempo Comum está presente o sentido do alerta, da esposa que espera o seu marido e de todos aqueles que estão preparados de lâmpadas acesas.
Que a nossa vida seja oração! Se é oração, não pode parar, pois seria morrer… A confiança em Deus é bastante para alimentar e saciar todas as fomes e fraquezas.
- Guardai-me, Senhor! Pega-me ao colo como criança simples e verdadeira!

Leitura II

Como já tivemos oportunidade de verificar, o Sacerdócio de Jesus é plena remissão dos nossos pecados. É o único capaz de nos remir e possibilitar a Salvação, este dom tão gratuitamente belo e comprometedor. Ao tomar-mos consciência da missão que o Senhor tem para nós, não ficaremos de modo algum insensíveis ao seu convite. Realmente, o Senhor convida-nos, livremente, com amor ao próprio amor. Ora, se tal convite é realizado com amor, não será merecedor de uma resposta com amor? Este amor não é algo de “torridamente gasoso”, mas algo que no interior de cada um de nós nos exige o compromisso, a entrega e a confiança.
Esta semana deve ter sido para toda a Igreja de intensa oração pelos Seminários. A oração que os cristãos realizam durante esta semana é dirigida a Deus como quem roga mais trabalhadores e mais santos e humildes administradores da sua Graça. Ao falarmos de seminaristas, falamos dos seus pais, das suas famílias, comunidades, formadores e amigos. Todos estes são incluídos nesta prece e ao pedir-mos a Deus tal graça que é o despertar do nosso Baptismo, deveremos sentirmo-nos altamente implicados e provocados pelo convite que Deus faz no coração de cada um de nós.
“Não ouves o Senhor a dizer-te ao ouvido: vem e segue-Me” ?

Evangelho

São Marcos vem atirar mais lenha para a fogueira.
Esta fogueira foi acesa na noite de Páscoa e continua até hoje… Nestes dias, a liturgia tem-nos alertado para a vigilância e tem colocado os nossos corações em sobressalto com estas palavras: “Vigiai e orai em todo o tempo, para poderdes comparecer diante do Filho do Homem” (Lc 21, 36). Marcos vem ajudar a acordar do sono; daquele sono no pó da terra, na natureza humana mas não original.
A espera nem sempre é fácil de compreender e de acolher pois ansiamos por soluções rápidas, eficazes, eternas e que não nos comprometam. Ora, isto não é de Deus nãos dos seus filhos. A espera é terreno fértil, pois é adubado pelo sopro de Deus e pelo espaço que LHE damos para que ore a sua vontade nos nossos corações. Está visto que necessitamos de colocar as mãos ao trabalho e assim, tornar activo o nosso baptismo que tantas vezes fica nas fotografias e naquela vela que tem uma fita e que está dentro de uma caixa de papelão guardada na gaveta das recordações…
Este brotar das folhas da figueira pode ser comparado com a nossa fé. A figueira tem propriedades um pouco interessantes:
- Madeira: é fraca e mole;
- Ramos: são ocos por dentro mas até servem para encabar foicinhas para cortar o trigo e as ervas más;
- Folhas: são grandes e oferecem uma sombra para descansar;
- Fruto: é muito bom e tem várias aplicações.
Analisando as suas propriedades podemos concluir que apesar da madeira ser frágil até dá boa sombra e bom fruto. Também podemos ser vistos assim: fracos, frágeis mas com utilidade para os outros. O Senhor virá quando brotarem as folhas da figueira, quando o nosso Baptismo estiver à flor da pele! O Seminário não é apenas uma casa, é uma comunidade presidida por Jesus. Quem deixa que a exigência do seminário passe por si cresce, mas sem a oração pessoal e da Igreja não é possível aguentar este aperto, pois crescer dói!
Sendo assim, é importante cada um sentir-se no projecto de Deus, no Seu coração. Não se pense que o correcto será esperar sentado à espera do dia da Ressurreição, pois se se não morre em cada dia para o que é menos bom em nós, nunca faremos a nossa Páscoa, pois não se está em vigia, com as lâmpadas do coração e da oração acesas! Vigiai e orai!

- Consigo permanecer em vigia?
- Eu quero crescer ou já desisti com receio da possível dor?
- O meu Baptismo já brota em verdes folhas que anunciam abundantes flores e bom frutos?
- Para ti, jovem (de idade ou de espírito) rapaz: Já pensaste em te ofereceres aos outros? Porque não como Padre?



Eterno e bom Senhor, Tu que sempre em nós depositas a confiança e de nós apenas esperas a felicidade de sermos teus filhos, auxilia-nos na peregrinação até à Jerusalém Celeste, a terra dos ressuscitados, ao sentirmo-nos chamados e enviados como estrelas que brilham por toda a eternidade.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

XXXII Dom. do Tempo Comum - Ano B

LEITURA I: 1 Reis 17, 10-16

Leitura do Primeiro Livro dos Reis
Naqueles dias, o profeta Elias pôs-se a caminho e foi a Sarepta. Ao chegar às portas da cidade, encontrou uma viúva a apanhar lenha. Chamou-a e disse-lhe: «Por favor, traz-me uma bilha de água para eu beber». Quando ela ia a buscar a água, Elias chamou-a e disse: «Por favor, traz-me também um pedaço de pão». Mas ela respondeu: «Tão certo como estar vivo o Senhor, teu Deus, eu não tenho pão cozido, mas somente um punhado de farinha na panela e um pouco de azeite na almotolia. Vim apanhar dois cavacos de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho. Depois comeremos e esperaremos a morte». Elias disse-lhe: «Não temas; volta e faz como disseste. Mas primeiro coze um pãozinho e traz-mo aqui. Depois prepararás o resto para ti e teu filho. Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘Não se esgotará a panela da farinha, nem se esvaziará a almotolia do azeite, até ao dia em que o Senhor mandar chuva sobre a face da terra’». A mulher foi e fez como Elias lhe mandara; e comeram ele, ela e seu filho. Desde aquele dia, nem a panela da farinha se esgotou, nem se esvaziou a almotolia do azeite, como o Senhor prometera pela boca de Elias.

SALMO RESPONSORIAL: Salmo 145 (146), 7.8-9a.9bc-10 (R. 1 ou Aleluia)

Refrão: Ó minha alma, louva o Senhor.

O Senhor faz justiça aos oprimidos,
dá pão aos que têm fome
e a liberdade aos cativos.

O Senhor ilumina os olhos do cego,
o Senhor levanta os abatidos,
o Senhor ama os justos.

O Senhor protege os peregrinos,
ampara o órfão e a viúva
e entrava o caminho aos pecadores.

O Senhor reina eternamente;
o teu Deus, ó Sião,
é rei por todas as gerações.

LEITURA II: Hebr 9, 24-28

Leitura da Epístola aos Hebreus
Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro, mas no próprio Céu, para Se apresentar agora na presença de Deus em nosso favor. E não entrou para Se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote que entra cada ano no Santuário, com sangue alheio; nesse caso, Cristo deveria ter padecido muitas vezes, desde o princípio do mundo. Mas Ele manifestou-Se uma só vez, na plenitude dos tempos, para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo. E, como está determinado que os homens morram uma só vez e a seguir haja o julgamento, assim também Cristo, depois de Se ter oferecido uma só vez para tomar sobre Si os pecados da multidão, aparecerá segunda vez, sem a aparência do pecado, para dar a salvação àqueles que O esperam.

EVANGELHO (Forma longa): Mc 12, 38-44

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Naquele tempo, Jesus ensinava a multidão, dizendo: «Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas, com pretexto de fazerem longas rezas. Estes receberão uma sentença mais severa». Jesus sentou-Se em frente da arca do tesouro a observar como a multidão deitava o dinheiro na caixa. Muitos ricos deitavam quantias avultadas. Veio uma pobre viúva e deitou duas pequenas moedas, isto é, um quadrante. Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver».

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

«Ela, na sua pobreza, ofereceu tudo...»


Leitura I:
O Primeiro Livro dos Reis relata-nos o encontro entre o profeta Elias e uma viúva de Sarepta. Através de Elias, seu enviado, Deus lança à viúva o desafio da confiança generosa que lhe permitará acolher o dom de uma abundância que, pelas suas próprias forças, não pode experimentar. Enfrentando o temor de um futuro incerto e confiando nas promessas de Deus, a viúva ultrapassa o medo e partilha com Elias os únicos alimentos que possui. Então, da sua pobreza brota o sinal da vida digna que Deus promete aos seus filhos e nela nasce a certeza de que o Senhor dá o sustento necessário àqueles que nele confiam e se dispõem a partilhar do que é seu. A nós, cristãos deste tempo, é-nos pedida a coragem e a confiança de partilharmos não só o que temos, mas acima de tudo o que somos no encontro com os irmão, especialmente com aqueles a quem foi roubado o sustento da dignidade, da alegria e do amor.

Salmo:
O Salmo 145(146) é um salmo de louvor e acção de graças. O salmista canta a bondade e a misericórdia de Deus que, saindo de Si mesmo, vem ao nosso encontro para nos trazer a certeza de sermos seus filhos muito amados. O seu olhar de Pai contempla, de modo especial, os mais frágeis e os mais necessitados de liberdade e de vida digna. Rezar cantando este salmo é um apelo a deixarmos que Deus faça de nós testemunhas da sua compaixão e profetas da sua consolação, de modo que a alegre esperança que trazemos em nós chegue aos últimos do nosso mundo.

Leitura II:
O Sacerdócio de Cristo, actualizado em todos os tempos na Igreja e nos nossos corações, é de novo o tema dos versículos da Carta aos Hebreus que nos são propostos na Liturgia da Palavra deste Domingo. O autor sagrado exorta os cristãos da sua comunidade a perceberem o tempo em que vivem como a "plenitude dos tempos" e a acolherem em si o dom de Deus presente na História pela entrega total de Jesus, pelo qual podemos experimentar confiantes a misericórdia do Pai. Hoje, podemos continuar a alimentar-nos dessa entrega vivificante de Jesus no Pão da Eucaristia, comungando a sua vida e a sua força e deixando-O comungar os nossos caminhos e fragilidades, certos que trazemos em nós um santuário onde Ele permanece connosco.

Evangelho:
A passagem do Evangelho de Marcos, que será proclamada neste XXXII Dom. do TC, é constítuida de duas partes distintas: na primeira, Jesus adverte a multidão acerca dos perigos de permanecer numa atitude hipócrita perante Deus e os outros, como faziam os escribas, naquele tempo; na segunda, o Senhor chama os discípulos para que descubram na atitude confiante de uma pobre viúva um modelo de perfeito acolhimento do Reino de Deus. Ao chamar a atenção dos seus ouvintes para os gestos vazios dos escribas, que se empenhavam em alcançar um lugar de prestígio entre os seus pela sua suptuosidade e riqueza exterior, Jesus queria que a multidão compreendesse que olhar amoroso de Deus se detém no coração dos seus filhos e é aí, onde se tomam as decisões e atitudes fundamentais de cada dia, que Ele se faz presente para torná-los capazes de viver em abundância. O olhar de Jesus, repleto de profundidade e compaixão, fixa-se depois no mais pequenino e discreto gesto feito no átrio do templo: uma pobre viúva oferece as duas pequenas moedas que eram todo o seu sustento. A pobre viúva torna-se modelo do discípulo do Evangelho não por ter dado o seu dinheiro e muito menos por ter oferecido aquilo que lhe permitia sobreviver; ela, ultrapassando os seus próprios limites, não mediu nem quantificou a sua entrega a Deus, mas soube confiar-se inteiramente ao Único que lhe oferecia uma vida livre e verdadeira. Fica o desafio de redescobrir a pureza do olhar, de viver numa humilde confiança e experimentar uma entrega transfigurante ao Deus da Vida e da Compaixão.

Pistas para a Reflexão:
- Quando Deus bate à tua porta ainda desconfias?
- A entrega apaixonada de Jesus é alimento para o teu caminhar?
- Vês as aparências ou contemplas o coração? Dás ou dás-te?

Para a oração, partilho dois excertos de poemas de Rainer Maria Rilke:

"A casa do pobre é como um tabernáculo.
Nela o que é eterno se transforma em alimento (...)."

"Pois a pobreza é um grande clarão que vem do interior..."

sábado, 31 de Outubro de 2009

Solenidade de Todos os Santos

LEITURA I Ap 7, 2-4.9-14

Leitura do Apocalipse de São João

Eu, João, vi um Anjo que subia do Nascente,trazendo o selo do Deus vivo.Ele clamou em alta voz aos quatro Anjos a quem foi dado o poderde causar dano à terra e ao mar:«Não causeis dano à terra, nem ao mar, nem às árvores,até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus».E ouvi o número dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil,de todas as tribos dos filhos de Israel. Depois disto, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar,de todas as nações, tribos, povos e línguas.Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro,vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão.E clamavam em alta voz:«A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono,e ao Cordeiro».Todos os Anjos formavam círculo em volta do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres Vivos.Prostraram-se diante do trono, de rosto por terra,e adoraram a Deus, dizendo:«Amen! A bênção e a glória, a sabedoria e a acção de graças,a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amen!».Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me:«Esses que estão vestidos de túnicas brancas,quem são e de onde vieram?».Eu respondi-lhe:«Meu Senhor, vós é que o sabeis».Ele disse-me:«São os que vieram da grande tribulação,os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro».


SALMO RESPONSORIAL Salmo 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)


Refrão: Esta é a geração dos que procuram o Senhor


Do Senhor é a terra e o que nela existe,
o mundo e quantos nele habitam.
Ele a fundou sobre os mares
e a consolidou sobre as águas.


Quem poderá subir à montanha do Senhor?
Quem habitará no seu santuário?
O que tem as mãos inocentes e o coração puro,
o que não invocou o seu nome em vão.


Este será abençoado pelo Senhor
e recompensado por Deus, seu Salvador.
Esta é a geração dos que O procuram,
que procuram a face de Deus.

LEITURA II 1 Jo 3, 1-3

Leitura da Primeira Epístola de São João

Caríssimos:Vede que admirável amor o Pai nos consagrouem nos chamar filhos de Deus.E somo-lo de facto.Se o mundo não nos conhece,é porque não O conheceu a Ele.Caríssimos, agora somos filhos de Deuse ainda não se manifestou o que havemos de ser.Mas sabemos que, na altura em que se manifestar,seremos semelhantes a Deus,porque O veremos tal como Ele é.Todo aquele que tem n’Ele esta esperançapurifica-se a si mesmo,para ser puro, como Ele é puro.

EVANGELHO Mt 5, 1-12a

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se.Rodearam-n’O os discípulose Ele começou a ensiná-los, dizendo:«Bem-aventurados os pobres em espírito,porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos,porque alcançarão misericórdia.Bem-aventurados os puros de coração,porque verão a Deus.Bem-aventurados os que promovem a paz,porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça,porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa,vos insultarem, vos perseguireme, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai,porque é grande nos Céus a vossa recompensa».



« Alegrai-vos e exultai,
porque é grande nos Céus a vossa recompensa »

Reflexão

Leitura I

Uma leitura joanina deve antever uma linguagem simbólica, pela qual Deus passa e ensina o seu povo. Nesta passagem do Apocalipse revemo-nos como Povo de Deus, os escolhidos e chamados à ressurreição.
Todos os baptizados (nós) têm este selo de Deus que o Mensageiro de Deus trazia; este selo é, em nós, o Baptismo, sinal do resgate e da vocação à santidade. Nós somos os que foram marcados, todos os que abraçam a graça gratuita da salvação de Deus. Estes 144000 é o sinal de toda a humanidade, não quer representar nenhuma restrição do número de pessoas…não se pode “conceber” que Deus determine um número de almas salvas, como alguns afirmam…seria sinal da incompetência da Ressurreição. A Santidade não é específica de uma nação nem de uma língua! A Santidade é própria do Povo de Deus que só fala uma língua: o AMOR.
Nós somos os de “túnicas brancas”, os que se entregam a Deus e banham-se no Baptismo Pascal, mergulhando e renascendo no Sangue puríssimo e salvífico de Jesus, Cordeiro Pascal e vítima única.
Nós somos os de “palmas na mão”, mártires da fé, testemunho do escândalo da ressurreição…Vamos confiantes até ao banquete da mesa celeste, até á comunhão perfeita com todos os (outros) santos.


Salmo

O Salmo 23(24) é um convite à subida da montanha, ao encontro com o Pastor que guia, protege e alimenta o seu rebanho, os seus escolhidos. Na Solenidade de Todos os Santos somos chamados a tomar consciência de que somos o Corpo de Cristo, que caminha na Terra, e de que é do Céu que somos chamados. É Jesus que nos congrega, vem ao nosso encontro e nós ceamos com Ele.
É motivo para que, depois de cantarmos o refrão deste Salmo, questionemos o Senhor: “Quem habitará no seu santuário?”. Esta nossa questão é sinal de maturidade e de anseio de Deus, mas não se confunda o desejo de habitar na Casa do Senhor como o desejo de ocupar os primeiros e melhores lugares afim de nos servirmos. De certeza que Ele nos apontará o caminho, fazendo do Evangelho lâmpada para a caminhada.


Leitura II

A Solenidade da renovação do nosso Baptismo deverá ser momento de revisão e de confirmação da esperança que animou (deu alma) todos aqueles que nos antecederam.
Nós somos os beneficiados da entrega de Jesus, mas também do tesouro dos mártires, ou seja, do testemunho de todos aqueles que se empenharam em preparar o convívio de todos os Santos (dos baptizados), no Reino dos Céus.
João, na sua epístola, leva-nos a despertar para este amor que faz de nós filhos de Deus. Este amor tem um rosto, que nós não conseguimos “ver” perfeitamente, mas sabemos que Ele nos chama e está presente nos nossos irmãos.
A humildade deve ser a nossa defesa, a fim de não nos preocuparmos demasiadamente com o alcançar do rosto físico de Deus, pois quanto mais nos afastamos nesta procura mais nos afastamos daqueles em que Ele está presente.
Ver a Deus é ver os irmãos, na esperança pascal da ressurreição e da eterna comunhão. Verónica é modelo de quem quer ver o rosto do Senhor e o rosto de Jesus gravado na toalha representa o desejo de ver o Senhor na sua plenitude: na entrega; nós caminhando vamos tentando gravá-LO no coração.


Evangelho

A paternidade de Deus e o caminho da Santidade são as chaves para viver devidamente o dia de Todos os Santos.
O nosso baptismo é claramente o sinal da paternidade de Deus a nosso respeito, pois é a maior graça que d`Ele recebemos. A partir do Baptismo recebemos tudo o resto; é por ser-mos seus filhos que nos chama à santidade, tal como um pai quer o melhor para os seus filhos e deseja que seja e viva melhor do que ele. É na certeza de filhos de Deus que caminhamos no trajecto de salvação, de ressurreição, de vida nova. O baptismo se não for constantemente renovado pela Reconciliação, pela Eucaristia e pelo o testemunho cristão diário (a TODO o TEMPO) não vale nada! E, o argumento “Eu tenho a minha fé” não é dignificante para o baptizado, pois é negar a irmandade e por conseguinte rejeitamos a paternidade de Deus.
Realmente, o cristão deve ser um novo discípulo, que apenas Jesus se sente, ele rodeia-O para aprender d`Ele. Com esta Solenidade, o Senhor tem um grande ensinamento para cada um de nós: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus”. Esta bem-aventurança vem responder à busca presente na epístola de João, pois procura ver o rosto puro de Deus…aqui está o caminho. Difícil é permanecer nesta bem-aventurança e não praticar a mal-aventurança. São dois caminhos que nos podem parecer iguais, mas conduzem-nos a destinos bastante diferentes. Como filhos de Deus e santos pelo baptismo, somos capazes de afirmar com toda a intensidade e compromisso “eu quero isto” e “Eu não quero isto”. E, se alguém perguntar o porquê, basta-nos responder “porque sou filho de Deus” e “é grande nos Céus” a minha recompensa.
Irmãos, o cristão é um bem-aventurado que anseia e prepara continuamente a felicidade e a comunhão eternas.
“Alegrai-vos e exultai”, o Baptismo, o testemunho de fé e a entrega são a nossa força em Jesus Cristo!


Deus justo e santificante, que nos concedes a graça de honrar numa única solenidade os méritos de Todos os Santos, derrama sobre nós, em atenção a tão numerosos intercessores, a desejada abundância da Tua misericórdia. Reaviva em nós o Baptismo, a Aliança pascal.

sábado, 24 de Outubro de 2009

Dom. XXX do Tempo Comum - Ano B

I LEITURA Jer 31, 7-9

Leitura do Livro de Jeremias

Eis o que diz o Senhor: «Soltai brados de alegria por causa de Jacob, enaltecei a primeira das nações. Fazei ouvir os vossos louvores e proclamai: ‘O Senhor salvou o seu povo, o resto de Israel’. Vou trazê-los das terras do Norte e reuni-los dos confins do mundo. Entre eles vêm o cego e o coxo, a mulher que vai ser mãe e a que já deu à luz. É uma grande multidão que regressa. Eles partiram com lágrimas nos olhos e Eu vou trazê-los no meio de consolações. Levá-los-ei às águas correntes, por caminho plano em que não tropecem. Porque Eu sou um Pai para Israel e Efraim é o meu primogénito».


SALMO RESPONSORIAL Salmo 125 (126), 1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R. 3)

Refrão: Grandes maravilhas fez por nós o Senhor, por isso exultamos de alegria
Ou: O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo

Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião,
parecia-nos viver um sonho.
Da nossa boca brotavam expressões de alegria
e dos nossos lábios cânticos de júbilo.

Diziam então os pagãos:
«O Senhor fez por eles grandes coisas».
Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,
estamos exultantes de alegria.

Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,
como as torrentes do deserto.
Os que semeiam em lágrimas
recolhem com alegria.

À ida vão a chorar,
levando as sementes;
à volta vêm a cantar,
trazendo os molhos de espigas.


II LEITURA Hebr 5, 1-6

Leitura da Epístola aos Hebreus

Todo o sumo sacerdote, escolhido de entre os homens, é constituído em favor dos homens, nas suas relações com Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Ele pode ser compreensivo para com os ignorantes e os transviados, porque também ele está revestido de fraqueza; e, por isso, deve oferecer sacrifícios pelos próprios pecados e pelos do seu povo. Ninguém atribui a si próprio esta honra, senão quem foi chamado por Deus, como Aarão. Assim também, não foi Cristo que tomou para Si a glória de Se tornar sumo sacerdote; deu-Lha Aquele que Lhe disse: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei», e como disse ainda noutro lugar: «Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec».

EVANGELHO Mc 10, 46-52


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Naquele tempo, quando Jesus ia a sair de Jericó com os discípulos e uma grande multidão, estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho. Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem piedade de mim». Jesus parou e disse: «Chamai-o». Chamaram então o cego e disseram-lhe: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te». O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus. Jesus per¬guntou-lhe: «Que queres que Eu te faça?». O cego respondeu-Lhe: «Mestre, que eu veja». Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou». Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.
«Mestre, ...
...que eu veja»...

I Leitura
A profecia de Jeremias, proclamada na Liturgia da Palavra deste Domingo, é uma profecia de esperança e consolação para o Povo do Senhor. O Deus fiel, o Pai misericordioso intervém na história de Israel para que o seu Povo, exilado na Babilónia, regresse à Terra Prometida. Para nós, as palavras do profeta são um convite claro a caminharmos na confiança e na alegria, ainda que tantas vezes continuemos cativos do nosso pecado, da tristeza ou do sofrimento, pois o Senhor permanece connosco e conduz a nossa história segundo os desígnios do seu amor. Para fazer a experiência desta alegria transbordante é necessário estarmos disponíveis para sermos resgatados do mal e da morte pelo amor de Deus, que nos criou e nos recria, em cada momento, com um verdadeiro acto de confiança naquilo que somos e podemos chegar a ser.

Salmo
O Salmo 125(126) canta a alegria de Israel, que louva as maravilhas que Deus realiza em seu favor. O Povo do Senhor percebe que a sua história é uma História de Salvação, uma história onde o verdadeiro protagonista é Deus que o chama a uma vida mais feliz, experimentada na fidelidade ao Deus da Aliança. O salmista relembra-nos a fecundidade das nossas lágrimas, da dor que sentimos inúmeras vezes, quando procuramos ser coerentes com o Projecto de Deus; o sofrimento que experimentamos pode fazer germinar em nós sementes de eternidade, se lhe dermos o sentido da doação e do amor.

II Leitura
O autor sagrado exorta os cristãos, nesta passagem da Carta aos Hebreus, a contemplar o mistério do sacerdócio de Cristo, que coloca no Coração de Deus tudo aquilo que somos, e a redescobrir a beleza do sacerdócio que nós mesmos recebemos pelo Baptismo. Tal como Jesus, que experimentou em si a nossa fragilidade humana e a força de se saber Filho de um Pai fiel e misericordioso, também somos convidados a viver como filhos de Deus, como testemunhas da sua compaixão junto dos irmãos. Hoje é necessário continuarmos a descobrir este amor imenso do Senhor que nos chama a darmos de nós mesmos para que os outros cheguem a encontrar o caminho que revela a beleza e a ternura do rosto do Deus verdadeiro.

Evangelho
Marcos, ao concluir o seu relato da subida de Jesus para Jerusalém, apresenta-nos, neste XXX Domingo do TC, a cura do cego Bartimeu no caminho para a Cidade Santa. Este cego que, abandonado à beira do caminho, pede esmola para sobreviver, descobre em Jesus uma esperança radicalmente nova para a sua vida e não deixa que nada nem ninguém lhe tirem a oportunidade de confiar nessa luz que, embora não vendo, sente no seu coração. Bartimeu não tem medo de gritar a miséria da sua cegueira, pedindo a Jesus não só a visão, mas sobretudo o dom de uma vida digna e com sentido. Uma vez mais, Jesus pronuncia as palavras portadoras da cura que restitui ao cego a visão e, acima de tudo, lhe oferece a possibilidade de viver, pela fé, uma experiência de Deus que renova a sua vida. A nós cristãos, que, por entre luzes e sombras, caminhamos no seguimento comprometido de Jesus, é-nos dirigido o apelo a darmos o salto da fé, renunciando à cegueira dos nossos horizontes mesquinhos e limitados, do nosso egoísmo estéril, do narcisismo que procura o sucesso vazio, para acolhermos a esperança de uma eternidade vivida desde o momento presente, nas situações e acontecimentos que fazem, hoje, a nossa história. Basta queremos e confiarmos a determinação da nossa vontade ao poder do amor de Deus, que ultrapassa tudo aquilo que podemos esperar ou imaginar.

Pistas para a Reflexão:

- O que te faz permanecer ainda cativo? Já te dispuseste a ser parte da multidão que regressa aos braços do Pai, onde o amor tudo recria?

- A tua fragilidade fecha-te no egoísmo ou aproxima-te dos irmãos, frágeis como tu e necessitados da tua compaixão? Quando perceberás que o teu Baptismo te confiou a missão de seres sacerdote, a construir pontes entre Deus e os homens?

- Cego, caído à beira do caminho, à espera que os outros ou Deus façam aquilo que não te decides a começar pelas tuas próprias mãos: ainda é este o teu retrato? Quando darás o salto da fé e acolherás a esperança que nunca se extingue, pelo seguimento de Jesus até ao dom total da vida?


Pai fiel e rico em misericórdia,
aumenta em nós a fé, a esperança e a caridade;
e para merecermos alcançar as Tuas promessas
faz-nos amar o que nos revelas, pela Tua Palavra de Vida.
Isto Te pedimos pela fé que temos em Jesus Cristo,
Teu Filho e nosso irmão, Ele que é Deus conTigo,
na unidade do Espírito Santo. Amen.
Orado e repartido por Alberto

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Dom. XXIX Tempo Comum - Ano B

LEITURA I Is 53, 10-11

Leitura do Livro de Isaías
Aprouve ao Senhor esmagar o seu servo pelo sofrimento. Mas, se oferecer a sua vida como sacrifício de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias, e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. Terminados os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado na sua sabedoria. O justo, meu servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades.


SALMO RESPONSORIAL Salmo 32 (33), 4-5.18-19.20.21 (R. 22)

Refrão: Desça sobre nós a vossa misericórdia,
porque em Vós esperamos, Senhor.

A palavra do Senhor é recta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a rectidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor.

Os olhos do Senhor estão voltados
para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome.

A nossa alma espera o Senhor:
Ele é o nosso amparo e protector.
Venha sobre nós a vossa bondade,
porque em Vós esperamos, Senhor.


LEITURA II Hebr 4, 14-16

Leitura da Epístola aos Hebreus
Irmãos: Tendo nós um sumo sacerdote que penetrou os Céus, Jesus, Filho de Deus, permaneçamos firmes na profissão da nossa fé. Na verdade, nós não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas. Pelo contrário, Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, excepto no pecado. Vamos, portanto, cheios de confiança ao trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia e obtermos a graça de um auxílio oportuno.


EVANGELHO - Forma longa - Mc 10, 35-45

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Naquele tempo, Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Mestre, nós queremos que nos faças o que Te vamos pedir». Jesus respondeu-lhes: «Que quereis que vos faça?». Eles responderam: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda». Disse-lhes Jesus: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu vou beber e receber o baptismo com que Eu vou ser baptizado?». Eles responderam-Lhe: «Podemos». Então Jesus disse-lhes: «Bebereis o cálice que Eu vou beber e sereis baptizados com o baptismo com que Eu vou ser baptizado. Mas sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não Me pertence a Mim concedê-lo; é para aqueles a quem está reservado». Os outros dez, ouvindo isto, começaram a indignar-se contra Tiago e João. Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os que são considerados como chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. Não deve ser assim entre vós: quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos; porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos».